O
que pensam as pessoas neste trem lotado
Fingindo
ler livros enquanto as páginas voam vazias?
E
o vendedor ambulante pensa o que a cada olhar de desprezo?
O
que penso eu no meio desta multidão olhando os trilhos vazios
Que
ficam para trás como se fossem minha própria sorte?
E
Qual o destino de toda essa gente? Auschwitz, Goya
Ou
a próxima estação que parece não chegar nunca.
Não
que eu me importe porque sou tão egoísta quanto todos aqui.
Quantas
vezes pensei suicídio? Trinta e sete ou mais - até perdi a conta
Sempre
achei a ponte baixa demais ou a corda frouxa demais.
E
todos os distúrbios de personalidades não passaram de uma invenção
Mesquinha
e sem sentido, já que o resultado era tudo aquilo que eu mais temia.
Minha
sombra dançava sozinha na chuva gelada e como no poema
Cerveja
era apenas o que restava.
Não
adiantava tomar todas as cervejas do mundo, nem todo uísque ou conhaque
Nem
fumar toda a plantação de maconha existente.
Fugir
da realidade só a tornava pior quando eu voltava pra ela.
E
eu que achava que podia controlar todos os tipos de situações
Não
conseguia nem ter o controle de minhas lágrimas.
E
o trem parou e seu barulho monótono também
Era
a última parada ou o aviso de morte? não tínhamos sorte
E
todos desceram com dores em todos os lugares do corpo.
São
Paulo continuava do mesmo jeito
Cinzenta,
barulhenta, um bilhão de pessoas apressadas...
Ninguém
me conhecia nas ruas nem nos bares nem em qualquer canto.
Eu
era um fantasma e me sentia vivo ao lado de outros fantasmas
Espalhados
pelos cantos sórdidos da boca do lixo.
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