sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

A grande festa

Eu era um cara de 27 anos escrevendo poemas 1h30 da madrugada de sábado.
O que havia de errado comigo?
Era difícil saber e também não queria descobrir.

Lá fora, a festa já havia começado.
Os caras berravam, dançavam e bebiam até vomitar.
As meninas com caralhos enfiados em todos os buracos
Se divertiam pra valer.

Com o poema ainda no primeiro verso esquecido em algum canto
E a cerveja quente e sem gosto,
Eu também me divertia pra valer.

E os caras gritavam pra mim:
“Ei cara vem pra festa que tá perdendo
A maior putaria que vi na vida”
Minha putaria estava mais excitante
Com tantos verbos pra expressar porra nenhuma.

A música não me agradava era esse o motivo.
E por que tanta gritaria,
Vão estourar a garganta desse jeito.
Preciso de silêncio que parece que o poema chega às mãos paralíticas
E tudo de repente está escrito
Com pontos, vírgulas, substantivos e adjetivos em excesso.

O excesso era a base de tudo.
Os caras estavam chapados demais,
As meninas loucas demais,
E eu mais louco ainda
Começando um segundo poema.

Às 3h da madrugada tudo perdia a força.
Meu segundo poema ficou inacabado como quase tudo que eu fazia,
O som da festa ainda bem parou,
Os bêbados dormiam em cima de qualquer coisa,
Nem os cachorros latiam mais.
Todo mundo fazia parte da mesma festa de merda
Todo mundo ia dormir, depois acordar,
Ir ao banheiro, escovar os dentes, sentar na beira da cama
E pensar que nada daquilo fazia sentido.








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