Eu
era um cara de 27 anos escrevendo poemas 1h30 da madrugada de sábado.
O
que havia de errado comigo?
Era
difícil saber e também não queria descobrir.
Lá
fora, a festa já havia começado.
Os
caras berravam, dançavam e bebiam até vomitar.
As
meninas com caralhos enfiados em todos os buracos
Se
divertiam pra valer.
Com
o poema ainda no primeiro verso esquecido em algum canto
E
a cerveja quente e sem gosto,
Eu
também me divertia pra valer.
E
os caras gritavam pra mim:
“Ei
cara vem pra festa que tá perdendo
A
maior putaria que vi na vida”
Minha
putaria estava mais excitante
Com
tantos verbos pra expressar porra nenhuma.
A
música não me agradava era esse o motivo.
E
por que tanta gritaria,
Vão
estourar a garganta desse jeito.
Preciso
de silêncio que parece que o poema chega às mãos paralíticas
E
tudo de repente está escrito
Com
pontos, vírgulas, substantivos e adjetivos em excesso.
O
excesso era a base de tudo.
Os
caras estavam chapados demais,
As
meninas loucas demais,
E
eu mais louco ainda
Começando
um segundo poema.
Às 3h
da madrugada tudo perdia a força.
Meu
segundo poema ficou inacabado como quase tudo que eu fazia,
O
som da festa ainda bem parou,
Os
bêbados dormiam em cima de qualquer coisa,
Nem
os cachorros latiam mais.
Todo
mundo fazia parte da mesma festa de merda
Todo
mundo ia dormir, depois acordar,
Ir
ao banheiro, escovar os dentes, sentar na beira da cama
E
pensar que nada daquilo fazia sentido.
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