A menina está parada na esquina, bebendo cachaça e com
cara de dor. Fugiu de casa e não levou malas. Na bagagem, apenas a rebeldia e
as marcas do corpo. E são muitas.
Então ela desceu do ônibus e notou que estava num
lugar totalmente desconhecido. Caminhou alguns metros. Parou. Sorriu. Era
exatamente onde queria estar. Sem ninguém conhecido por perto. Podia ser ela
mesma ou ser qualquer coisa.
A menina virou prostituta, cheirou cocaína, vomitou na
sarjeta e não derramou uma lágrima.
Recebeu o apelido de menina terror. Caminhava sem medo
pela noite e sem se preocupar com o perigo. E pedia sempre que metessem com
mais força. Mais força, mais força. Não era o suficiente, nunca.
Dias depois de alguns uns dias, a menina sumiu. Não
foi vista nunca mais, isso entre os becos e sarjetas, pode ser que passeasse
tranquilamente pelas ruas de Paris, com outro nome, outra pele. Sem aquela
sujeira de bueiro. Mas dentro do seu estômago, lá no fundo, ainda restava
alguma náusea da menina terror. A menina que parava na esquina com cara de quem
ainda é menina.
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