domingo, 19 de outubro de 2014

Quem sou eu?
Um produto?
Uma máquina?
Um ser pensante?

Um louco com certeza não
Certeza – quem inventou esta palavra?
Outra pergunta

Não me canso
Quero as respostas agora
Amanhã não existe
O presente é agora
O futuro é agora
O passado também é agora

Pare de pensar e faça alguma coisa
Ou não faça nada, mas pare de pensar
Que minha cabeça está numa roda gigante a três mil km/h








domingo, 20 de abril de 2014

Menina terror

A menina está parada na esquina, bebendo cachaça e com cara de dor. Fugiu de casa e não levou malas. Na bagagem, apenas a rebeldia e as marcas do corpo. E são muitas.

Então ela desceu do ônibus e notou que estava num lugar totalmente desconhecido. Caminhou alguns metros. Parou. Sorriu. Era exatamente onde queria estar. Sem ninguém conhecido por perto. Podia ser ela mesma ou ser qualquer coisa.

A menina virou prostituta, cheirou cocaína, vomitou na sarjeta e não derramou uma lágrima. 

Recebeu o apelido de menina terror. Caminhava sem medo pela noite e sem se preocupar com o perigo. E pedia sempre que metessem com mais força. Mais força, mais força. Não era o suficiente, nunca.

Dias depois de alguns uns dias, a menina sumiu. Não foi vista nunca mais, isso entre os becos e sarjetas, pode ser que passeasse tranquilamente pelas ruas de Paris, com outro nome, outra pele. Sem aquela sujeira de bueiro. Mas dentro do seu estômago, lá no fundo, ainda restava alguma náusea da menina terror. A menina que parava na esquina com cara de quem ainda é menina.

 

sexta-feira, 28 de março de 2014

Chega um momento que não adianta mais fingir
É melhor deixar tudo pra lá.
Não esquecer – apenas deixar pra lá,
Como se faz com coisas usadas.

E coisas que não são prazerosas,
Como observar um ventilador que gira sem sentido,
Às vezes é o que faz sentido
Ou faz mais sentido que um prazer pré-fabricado.

Ver o excêntrico num simples pingo de chuva,
Caminhar para longe de tudo que está acontecendo,
Às vezes é bom, às vezes.






terça-feira, 7 de janeiro de 2014

a morte que não vem
e o dinheiro se esgotando
não dá mais pra aguentar
é preciso vender a alma
por mais uma dose
de maconha, cocaína
heroína, morfina, álcool,
a porra da tv , da internet,
o sexo nas esquinas
ou a religião lavagem cerebral
qualquer coisa, qualquer coisa mesmo
não dá pra aguentar
a sobriedade está perto
e o tédio matando
a todos dentro de casa
pessoas arrancando
os cabelos com os
próprios dentes amarelos
outras tantas enforcadas
degoladas e massacradas
pela lucidez
andando pelas ruas
como se fossem zumbis
totalmente desorientadas
porque há muita gente no mundo
e muita desgraça acontecendo
mas é de desgraça que o povo gosta -
o gostinho de sangue na ponta da língua
e o cheirinho de morte no ar
é preciso vender a alma
por mais uma dose
de qualquer coisa
qualquer coisa mesmo