quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Solidão


As mesas estão vazias...
os jogadores deixaram o baralho
para que o fosse roído por ratos de banheiro
e se esvaíram como poeira.
a cerveja foi deixada pela metade
mas ainda dá para sentir
o gosto quente de morte.


Agonia


O
Poema
Toma
Forma
À
Mesa
De
Bar
Sem
Rima
Corre
Livre
Ao
Banheiro
 E
Vomita
Agonias
Pelo
Chão

Garçom,
Mais
Uma
Dose
De
Cianureto
De
Potássio
Quero
Matar
A
Sede
Que
Sobe
Até
A
Garganta
E
Salta
Silencioso
À
Minha
Coleção
De
Agonias

O viajante solitário


Lá se vai o viajante solitário
com sua mochila inseparável
e suas trouxas de roupas surradas
e seu diário de versos inacabados,
acenando para as montanhas
com um brilho intenso no olhar,
que sacoleja e sacoleja ainda mais
quando o ônibus passa por buracos
de estradas sem destino.
E é na estrada que ele desce
e pede carona ao primeiro
cara doido que aparece dirigindo alucinadamente.
e eles tomam cerveja e falam da vida
dura, ágil e repetitiva.
quando passam por um desses bares de estrada,
atento aos olhares desconhecidos,
o viajante solitário se encanta com a garçonete
de olhos azuis e minissaia cor-de-rosa.
e quando a garçonete deixa de ser garçonete
e se torna uma mulher atraente de seios molhados
eles se deitam na lua e aí é só gemidos
e quando o sol nascer
ela irá embora sorrindo como uma gata manhosa
e ele se encontrará no quarto de algum hotel barato,
observando a sombra solitária de sua alma a descansar.
e logo após o almoço improvisado, ele estará novamente
buscando um parque de diversões em cada parada.







Imagem


Eu a vi descendo do ônibus
Com um sorriso tímido
E uns olhos enormes e assustados.
Eu a vi caminhando à minha direção,
Com passos lentos e a imaginação
Perdida no meu corpo.
Eu a vi acordando – o cabelo bagunçado.
Eu a vi tomando banho – o corpo sem alma.
Eu a vi sentada num bar de estrada
Pensando em mim
Enquanto tomava um conhaque
E tateava um cigarro.
Ela me chamava com medo
Que eu aparecesse.
Eu a vi caminhando de volta
Com os olhos afogados .





Silêncio


eu estava calado
o dono do bar estava calado
a cerveja estava calada
as pessoas à mesa ao lado estavam caladas
as pessoas que passavam apressadas pela rua estavam caladas
os homens do posto de gasolina estavam calados
alguém ligou o rádio mas esqueceu de aumentar o volume
alguém quebrou a televisão e ela não deu nem um chiado
alguém derrubou um copo no chão
e o copo não se partiu.